O crime ambiental que já tirou a vida de pelo menos 60 pessoas (há, ainda, cerca de 300 pessoas desaparecidas debaixo dos rejeitos) é fruto de uma prática antiga: as mineradoras se aproveitam das falhas na legislação e da omissão de todas as esferas do poder público para fugirem de suas responsabilidades legais e financeiras.

Para isso, utilizam-se da sua força econômica, de pressão política e de assessorias jurídicas muito bem pagas para se livrarem da lama. E assim a impunidade vai sendo alimentada, às custas da destruição de vidas e do meio ambiente.

Esta é a luta que o nosso mandato, em conjunto com entidades e movimentos ligados ao meio ambiente, está enfrentando. Lembro que, há quase oito meses, demos um abraço na Serra do Curral. A mobilização precipitou a CPI da Mineração Predatória naquela área, na Câmara Municipal de BH, por mim presidida. A empresa que está sendo investigada por devastar nosso patrimônio natural e ameaçar nossos recursos hídricos ocupava a área para, justamente, recuperá-la!

Na Serra do Rola Moça, o Ministério Público precisou intervir numa decisão impensável do conselho do parque, que votou a favor de licenciamento ambiental para atividade de uma mineradora dentro da área, legalmente protegida.

Na Serra do Taquaril está em curso um processo de licenciamento nada transparente para um megaempreendimento de mineração, que prevê a retirada de 50 milhões de toneladas de minério e a produção de 15 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Se são muitos os crimes cometidos e várias as tragédias já anunciadas, também são muitas as resistências, as denúncias e as ações concretas para defender a sociedade deste modelo econômico predatório e macabro.

A luta existe e já foi possível, por exemplo, parar a atividade na Mina Corumi, na Serra do Curral. Mas é preciso unificar os movimentos e as estratégias para dar conta do enfrentamento, em nível estadual, às artimanhas das empresas, e pressionar as autoridades para que se aprimore o marco regulatório.

Manter uma frente permanente contra a mineração predatória e em defesa das nossas serras é uma tarefa essencial para manter a sociedade mobilizada e vigilante. Nós vamos abraçar esta causa.

Gilson Reis, vereador do PC do B em Belo Horizonte. Preside a CPI que investiga a atividade minerária da Mina Corumi, na Serra do Curral

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