“Nós da educação somos um espaço de resistência democrática. E nessa resistência é preciso desfazer o que foi imposto pelos golpistas e reconstruir o espaço daqueles que querem construir o país”, afirmou o vereador Gilson Reis durante palestra proferida para os professores e professoras participantes do 13º ConSinpro – Educação para a Soberania: Desafios e Perspectivas, realizado no último sábado, dia 22, na sede do Sinpro.

Ao fazer uma análise da conjuntura política do país apontando os retrocessos e as perdas de direitos impostas pelo golpe de 2016, Gilson chamou atenção para as ações golpistas aplicadas na área da educação: “A Base nacional curricular, por exemplo, é um ataque frontal à educação, assim como a reforma do ensino médio, em que não mais será preciso ser professor para lecionar, o congelamento de verbas para a educação, o Plano Nacional de Educação, que foi discutido durante dez anos em três conferências nacionais e que em 2014 foi aprovado pelo Congresso Nacional e, quando começava a ser implementado, foi implodido para que não fosse mais aplicado no pais!”, lembrou.

“Os golpistas pensam que da educação deve ser retirado o papel da família, dos pais e de uma parcela da sociedade na construção autônoma da educação. Mas, afinal, é na educação que, através do conhecimento construído pela humanidade, o iluminismo o racionalismo, o humanismo, a humanidade criou um conjunto de saberes e de visões de mundo que foram reproduzidos pela escola, é ela que reproduz esses saberes”, acentuou Gilson Reis.

“E, paralelamente, nós vemos aí a escola sem partido, a ideologia de gênero. Eles consideram que o espaço da educação precisa ser dominado por conceitos liberais e que essa escola não dê a formação plena de cidadãos e cidadãs para constituir uma sociedade. Então, é preciso diminuir o espaço e, para eles, isso é importante porque se eles dominam o Parlamento, o Judiciário, a mídia, e toda a estrutura estatal e paraestatal, enquanto a educação é um espaço que eles não conseguiram ainda dominar”, observou.

Gilson lembrou que no campo do direito e do trabalho “há um ataque fulminante e nós temos de ter consciência de que há setores da sociedade sendo precarizados ao longo dos anos e nós temos de preservar, por meio de convenções coletivas, direitos coletivos. E, como o professor tem uma atividade fim na educação, com o golpe, tudo é destruído para facilitar o processo de aplicação da reforma e desconstruir também um direito ao trabalho”, destacou. “E não é só o direito do trabalho que é desconstruído para facilitar o processo de aplicação da reforma e do direito do trabalho, mas, também, a percepção enquanto categoria, ou seja, diminuir a possibilidade de nossa organização, seja pela via da terceirização, pela contratação de autônomos, pelo trabalho intermitente, um conjunto de formas e fórmulas que fizeram para atacar nossos direitos”, acentuou.

O vereador chamou atenção também para o forte ataque ao direito de organização sindical, “chegando ao ponto de nossa greve deste ano ter assumido uma grande robustez”. “Eles sequer queriam que os sindicatos fizessem as rescisões de contrato de trabalho no momento de demissão do professor, momento em que ele mais precisa do sindicato para saber de seus direitos”, disse. “Nós temos que enfrentar essa ofensiva com o fortalecimento do nosso sindicato, que enfrentou a reforma trabalhista e manteve nossos direitos com nossa categoria unida. Mas é preciso pensar no ano que vem, porque novamente eles virão com outra ofensiva e precisamos estar preparados para enfrentar essa ofensiva com uma contraofensiva organizada”, ressaltou ao observar que a greve dos professores de Minas refletiu em quase todo o país na preservação dos direitos da categoria, sobretudo em São Paulo, onde também ocorreu uma paralisação da categoria.

Candidato a deputado estadual pelo PCdoB, Gilson Reis destacou a importância de se “eleger pessoas comprometidas com a nossa luta”. “É o caso da escolha do presidente da República, do governador do Estado, senador, deputado federal, estadual, porque, é impressionante, quando a gente olha a representação na Câmara dos Deputados, no Senado ou nas Assembleias Legislativas vemos que lá estão nossos patrões e eleitos por nós professores. E na medida em que estão lá vão fazer todas as suas articulações para defender posições que são contra nossos interesses. Então, é hora de inverter a lógica de representação no Executivo. É importante termos presidente e governadores comprometidos com nossa luta”, acentuou.

Ao finalizar sua exposição, Gilson ressaltou que “a nossa resistência no campo sindical e político mais geral tem de culminar numa outra ação organizada que envolva a sociedade”. “É reverter as mudanças que eles fizeram na educação nacional, seja no ensino médio, na base de ensino curricular, a PEC 95, um conjunto de outras medidas, resgatar o Plano Nacional de Educação, os planos estaduais, municipais, dizer que queremos alternativa para a educação nacional e dizer com toda força que nós queremos um novo código do trabalho, melhor que a CLT, porque nós não podemos retroagir às condições que querem nos impor, uma relação de trabalho semi-escravizada”, disse.

“Portanto, nós temos um conjunto de ações que estão em curso no Brasil que dependerá muito de nossa capacidade de luta e de resistência. Enquanto passam a ideia de que só temos corrupção no país eles estão lá solapando nossos direitos. Então, é hora de voltar para nossas casas, para nossas escolas e conversar com nossos companheiros e dizer que temos alternativas no Brasil e precisamos construir essas alternativas. E que, principalmente a educação brasileira, seja um espaço legítimo da democracia e da construção do saberes e de nossa soberania.”

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