Debater o fechamento do setor de urgência e emergência do Hospital Alberto Cavalcanti, localizado na Região Noroeste de Belo Horizonte e encontrar alternativas definitivas para garantir o atendimento à população da região. Estes foram os principais objetivos de audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Câmara Municipal, promovida nesta segunda-feira (16/9), na porta do hospital. Em funcionamento há mais de 30 anos, o pronto atendimento foi fechado há uma semana ao público em geral, ficando restrito aos pacientes oncológicos. Os vereadores vão levar a situação ao Ministério Público e cobrar do governo do Estado, com o apoio da Assembleia Legislativa, a reabertura da unidade ou outra alternativa para atendimento dos usuários.

A audiência, que foi requerida pelos vereadores Gilson Reis (Pc do B), Edmar Branco (Avante), Juninho Los Hermanos (Avante) e Hélio da Farmácia (PHS), contou ainda com a presença do vereador Carlos Henrique (PMN), do deputado estadual Rafael Martins (PSD), do presidente da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Carlos Martins, e do ex-diretor do hospital, o médico Cláudio Antônio de Souza.

Para o vereador Gilson Reis, que presidiu os trabalhos, o encerramento do atendimento, ocorrido na segunda-feira (9/9), causa um prejuízo enorme a uma grande parte da população da cidade. “Nós estamos na Regional Noroeste onde moram mais de 350 mil pessoas. Com este tanto de gente, a região deveria contar com pelo menos duas UPA’s (Unidades de Pronto Atendimento). Próximo ao Hospital Odilon Behrens tem uma que acaba atendendo uma população que reside mais perto da Região Centro-sul e serve ainda de auxílio ao próprio hospital. Não há previsão de construção de outra unidade que atenda a esta região aqui fazendo com que a situação seja dramática. São 2 mil consultas por mês realizadas aqui no Alberto Cavalcante que deixam de ser atendidas”, explicou Reis. Ainda segundo o vereador, o fechamento foi feito arbitrariamente sem deixar alternativas aos usuários. “Se querem potencializar o setor de oncologia, não podem deixar a população sem o atendimento de urgência. Fechar e não colocar nada no lugar sem a preocupação com a comunidade ao redor é inadmissível. O governador Zema não pode fazer isso neste momento sem oferecer alternativa. São mais de 30 anos de atendimento a esta comunidade”, denunciou o vereador.

Segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), mantenedora do hospital, o Alberto Cavalcanti continuará tendo atendimento de urgência, mas apenas para pacientes oncológicos, registrados no Sistema Municipal de Saúde (SUS). “Este passo é fundamental para assegurar uma assistência integral a este paciente, além de aumentar a capacidade de internações, procedimentos e cirurgias, atendendo à atual demanda”, afirmou a Fhemig por meio de nota enviada à imprensa.

A informação foi rebatida e questionada durante a audiência pelo presidente da Asthemg, Carlos Martins. “Falaram que o fechamento da urgência era para melhorar o atendimento para os pacientes com câncer, mas quero dizer que isso é mito e devemos mostrar a incompetência desta gestão. Há 30 anos os dois serviços funcionam aqui e nunca teve problema. O problema está, por exemplo, na falta de reposição quando um equipamento para tratamento de câncer estraga”, afirmou Carlos, destacando ainda que a questão principal a ser debatida é o prejuízo da comunidade. “Não estamos falando em criar novos serviços. Estamos falando em manter algo que já existe. Com o fim da urgência disseram que a melhoria vai ser de 300% para os pacientes oncológicos, mas nesta semana não houve nenhuma melhoria. Qual o projeto para promover esta melhoria?”, finalizou o representante dos trabalhadores.

*Com informações da CMBH

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