Em Audiência Pública realizada na Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte desta quinta-feira (28), foi feita uma grave denuncia pelo Professor Paulo César Horta Rodrigues e Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, que o Rio das Velhas pode estar contaminado por vazamento de bacias de rejeito de minério na região. Isso implica na contaminação da água captada por Bela Fama, responsável por 60% do abastecimento de água de Belo Horizonte.

A queixa foi durante reunião para apurar a qualidade da água do Sistema Paraopeba após o crime da Vale, em Brumadinho, e, também, a real situação em que se encontra o abastecimento de água na capital mineira e os riscos de paralisação do abastecimento hídrico.

Entre as denúncias recebidas pelo vereador Gilson Reis (PCdoB), solicitante e presidente da reunião, o risco de contaminação do Rio das Velhas é muito grave. “Isso é caso de polícia, precisa ser apurado urgentemente”, declarou. O parlamentar enviou requerimento ao Ministério Público de Meio Ambiente de Minas Gerais solicitando a imediata investigação da denúncia.

Segundo o documento enviado a Promotoria, “trata-se de denúncia de moradores da região sobre a percepção de alterações na turbidez e da vazão a montante da captação de Bela Fama, provavelmente do Ribeirão Itabirito, o qual estão atribuindo a uma possível liberação deliberada de volumes de rejeitos em barragens instaladas na região por parte das empresas mineradoras”. Os rejeitos estariam sendo jogados nos rios para diminuir os volumes das barragens, como exige a nova legislação aprovada.

Também foi debatida a notícia de que o Rio Paraopeba está morto. A confirmação foi dada pelo representante da Copasa e pelo professor e biólogo Pedro Luiz Teixeira, através de estudos da Fundação SOS Mata Atlântica. “O rio não oferece mais condições de vida e nem de uso”, afirma Gilson Reis, que solicitou estudos para a Universidade Federal de Lavras. “A quantidade de acúmulos químicos na água vai dificultar a recuperação. Isso preocupa, pois em Belo Horizonte consumimos 30% da água do Rio Paraopeba”, conclui.

Para o parlamentar, é preciso que os órgãos responsáveis exijam da Vale a recuperação ambiental, a descontaminação do rio, o reflorestamento da área degrada, indenização de obras realizadas pelo Governo do Estado para captação de água e o ressarcimento de prejuízos da população Ribeirinhos ao longo do Rio Paraopeba.

Além disso, entre os encaminhamentos estão a criação de uma Frente Parlamentar da Região Metropolitana para debater as questões que envolvem todos os municípios minerários; informações da Ana (Agência Nacional de Águas), Feam (Fundação Estadual de Meio Ambiente) e ANM (Agência Nacional de Mineração) sobre uniformização de avaliação da qualidade e segurança das bacias de rejeitos da região; levantamento da Secretaria Estadual de Saúde sobre possibilidades de epidemias e qualidade da saúde da população atingida pela lama da mineração; além do pedido de informações sobre o prazo de descomissionamento da barragem da Mundo Mineração, que hoje representa um grande perigo ao abastecimento de água em Belo Horizonte e região.

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