Lojistas ameaçam fazer barricadas, abrir buracos e queimar pneus em horário de pico no centro de Belo Horizonte

Comerciantes da Rua dos Caetés, no centro de Belo Horizonte, protestaram contra a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e BHTrans em Audiência Pública da Câmara Municipal nesta segunda-feira (01). Requerida pelo vereador Gilson Reis, a reunião na Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor denunciou a postura dos órgãos que, sem aviso prévio, alteraram pontos de paradas dos ônibus entre a Rua Espírito Santo e a Rua da Bahia. Os representantes do executivo não compareceram para prestarem esclarecimentos e sequer justificaram as ausências.

A conduta da PBH interfere diretamente na rotina dos lojistas, já que podem ter de demitir seus funcionários ou até mesmo fecharem suas portas para se adequarem à redução nas vendas. Gilson Reis alerta para outro possível problema. “Fechados os comércios deste quarteirão, diminui-se o fluxo de pessoas e consequentemente a sensação de segurança local”, afirma.

A ausência do executivo reforçou a suspeita dos comerciantes de que as mudanças dos pontos de ônibus podem ser para beneficiar concorrentes, como os shoppings populares e grandes lojas das ruas Rio de Janeiro e São Paulo, para onde foram os pontos.

A mudança dos pontos de ônibus e a ausência dos órgãos responsáveis irritaram os comerciantes e empregados que acompanharam de perto à reunião no Plenário. “Vamos ter de montar uma barricada em horário de pico e queimar pneus e madeira, aí sim talvez alguma autoridade vai notar”, afirma o comerciante Paulo Martins, da Chocominas. “É mais um descaso da Prefeitura”, conclui. Também estiveram presentes Patrícia Fernandes, proprietária da Loja Mundo dos Esportes, André Neves, da Ótica Minas Brasil e Roberto Carlos Monteiro, do Rei dos Enxovais.

Próximos passos

Os comerciantes já questionaram a PBH e BHTrans, mas não obtiveram respostas ou os esclarecimentos foram insuficientes. Diante a ausência na Audiência Pública dessa segunda-feira, o vereador Gilson Reis irá solicitar a realização de uma nova reunião; desta vez, no lugar de convidar, a comissão irá utilizar o instrumento da convocação, cujo não atendimento, de acordo com a legislação, pode configurar “crime de responsabilidade”, sujeitando os gestores a sanções administrativas.

Localização dos pontos de ônibus

Os comerciantes afirmaram que o trajeto anterior dos coletivos e a localização dos pontos das linhas 9801, 9502, 9405 e 9404 naquele quarteirão já existiam há muitos anos e funcionavam perfeitamente bem para todos, inclusive para os usuários, em razão da proximidade com as Avenidas Amazonas e Afonso Pena e com a Praça da Estação; logo, o restabelecimento da antiga configuração não prejudicaria ninguém e não demandaria nenhuma intervenção ou despesa para o Município. Eles apontaram ainda a largura da calçada e da faixa de rolamento naquele trecho da rua, que favorecem o fluxo de veículos e pedestres e facilitam a parada dos coletivos, diferentemente das vias para onde os pontos foram transferidos. Nas Ruas Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, os pontos de embarque e desembarque ficam superlotados e a concentração de 15 a 20 linhas nos mesmos locais obriga os ônibus a parar em fila dupla ou tripla, congestionando o trânsito.

A volta das paradas de coletivos no local também favoreceria os usuários em razão de sua localização, próxima às Avenidas Amazonas e Afonso Pena e à Praça da Estação, onde circulam milhares de pessoas. Apesar das intervenções para a requalificação e “embelezamento” do hipercentro, segundo eles, aquele trecho da Caetés está “morto”; para demonstrar o grau de esvaziamento, Monteiro afirmou que “é possível jogar futebol na frente das lojas”. Segundo ele, os lojistas locais já encaminharam um abaixo assinado questionando a Prefeitura, cuja resposta foi vaga, insuficiente e não satisfez os comerciantes.

*Com informações da comunicação da Câmara Municipal de Belo Horizonte

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